
Desaba. Aquele mundo de promessas, sonhos, projetos, simplesmente desaba. Somos seres dotados da necessidade de um chão, apaixonados podemos até voar, mas o imã do chão, sempre nos atrai. O que fazer quando tiram nosso chão? Não há nada mais cruel, que uma rasteira num vácuo abismal, afinal, como dizia Exupéry “tu te tornas eternamente responsável pelo aquilo que cativas”.
É difícil definir o sentimento de uma pessoa sem chão, mais principalmente, sem asas pra sobrevoá-lo. Que definição mais cabível teria ao vazio? Quer dizer... Como explicar, o que o nada nos faz sentir, se é exatamente a angustia do nada que nos aflige?
Poderia dizer: Não se apaixone, nunca. Mais quem obedeceria? Nós temos a estranha mania do “dessa vez vai ser diferente”, ledo engano. Não, não vai. Você vai sofrer, vai apostar tudo em quem ou não mereça ou quem não foi bom o suficiente pra você, vai quebrar a cara, perder a noção de amor próprio, vai querer se afundar em uma cama com 30 kg de chocolate belga, vendo pela décima quinta ou décima sexta vez, aquele filme, com aquela historia de amor que você sabe, no fundo sabe, nunca será a sua.
Poderia dizer, pra você nunca acreditar, naquelas promessas, horas tão românticas e ao mesmo tempo, perfeitamente impossíveis de serem cumpridas. Mas a gente acredita, não acredita? A gente realmente acha que são de coração, será que são? Será que eram? Um dia foi? Por algum milésimo de segundo, talvez compatível com aquele beijo antecedido de um: eu te amo, mais que você, pra sempre meu amor, além de mim, minha futura mulher, minha vida, minha razão de viver, e blá blá blá. Mentira! Sacanas, covardes, egoístas, acham que sabem o que é melhor para nós, acham que merecemos coisa melhor, sem saber, que o que nós queremos mesmo, são eles. Perfeitos, defeituosos, brigões, chatos e insensíveis. Queremos vocês, será que não entendem?
A necessidade masculina de ferir com a próxima parecem falar mais alto, e de repente, um copo de cerveja, numa sexta- feira a noite, num bar de esquina parece mais interessante que ver você. Dizem eles que se divertem mais, mais a realidade é que a intrínseca necessidade de ser, fielmente a espécie, cachorro, grita. Eles tiram nosso chão, como se tirassem nossa roupa: quando mais demorado, mais vorazmente, e assim, como num gesto de piedade, pedem desculpas. Não, não quero suas desculpas, quero você.
A rotina está ficando sem graça, não somos companheiras de baladas, não arrotamos, nem falamos de bundas. Não. Nós amamos, com toda intensidade que um coração pode suportar, e se isso, já não basta, se o amor de uma mulher, não é suficiente para fazer um homem se desligar do seu lado primitivo, só há duas alternativas: você amou o cara errado ou você amou o cara errado.
Ele não te merece.